Urgências não justificadas
domingo, outubro 22, 2006
Mais de 40 por cento das idas às urgências não se justificam
(...) É assim que, actualmente, em média, cada português recorre a um serviço de urgência 1,2 vezes por ano, "uma percentagem altamente anormal em termos europeus", defende Luís Campos, director da Urgência do Hospital de São Francisco Xavier (Lisboa) e membro da comissão que propôs o encerramento de 14 urgências hospitalares que tanta controvérsia tem causado. Há países em que, com metade desta relação, se "considerava que o sistema tinha falido", reforça José Manuel Almeida, outro dos membros da comissão e director do SU do Centro Hospitalar de Coimbra (Covões). Mas os dois frisam que, ao contrário do que dizia a comissão de 1996, que estimava em 80 por cento as "falsas" urgências, mais de metade (entre 55 a 60 por cento) dos atendimentos nos SU justificam-se. Significa isto que os portugueses são mais doentes ou porventura mais hipocondríacos? Não, responde Luís Campos, lembrando alguns motivos que justificam esta procura acrescida. "Para além da percentagem de pessoas que procura as urgências porque não tem médico de família, há outros factores, como a proximidade dos serviços, a disponibilidade durante 24 horas, a existência de radiologia e análises". E acrescenta: "É evidente que cada presidente de câmara quer um hospital na sua terra. É justo. Agora, quando pensamos em termos nacionais, os recursos são limitados e há exemplos que são puros desperdícios." (...)
In Publico Online, Domingo, 22 de Outubro de 2006