A propósito da “Lei da paridade”
segunda-feira, outubro 09, 2006
No Público de Domingo, 8 de Setembro de 2006, li uma entrevista com Maria Manuel Oliveira, deputada do PS.
Devo, antes de mais nada, acrescentar que a tão propalada lei da paridade e a “regra” que o PS adoptou internamente, é deveras interessante. Sendo 1/3 dos deputados de cada partido do sexo feminino, tornaremos o hemiciclo muito mais atraente e, com certeza, apresentará um certo teor romântico e acolhedor. Não será de estranhar se daqui a algum tempo, ao ver o Canal Parlamento, alguém reparar em meia dúzia de novelos e livros de receitas em cima das bancadas… Qui çá, teremos a oportunidade de ver uma “CatFight” em directo, entre as bancadas do PS e PSD, p.e., com deputadas de agulha de tricot em riste! (Brincadeira! :D)
Sinceramente, vislumbro esta lei de dois ângulos: em primeiro lugar, acho muito bem que haja um influxo de sangue e ideias novas no Parlamento, dado (re)conhecer bastantes militantes do sexo feminino com capacidade para singrar como deputadas, em oposição a muitos que actualmente por lá poisam. Em segundo lugar, julgo que “forçar” os partidos a injectarem 1/3 de mulheres torna-se castrador para quem fará a selecção. Não ficará ninguém melhor de fora? Sendo Homem ou Mulher, o que interessa é que represente os cidadãos que os elegem, de uma forma honrada e perspicaz!
Ou não?...
Em relação à entrevista, apraz-me saber que a (quase) Doutora Maria Manuel Oliveira, a 12.ª candidata da lista de Setúbal, vai exercer o seu primeiro trabalho político dentro do Partido Socialista como deputada. Entrou no hemiciclo, pois António Vitorino (entrou para o think-thank da Fundação Bertelsman) e Paulo Pedroso (por motivos profissionais não regressa ao cargo) não podem exercer o seu contributo. Ou seja, mais directamente não poderia ter sido.
Ainda assim, refere ao Público: “Posiciono-me na mesma directriz (de Vitorino). Uma espécie de 3.ª via, se assim lhe quiser chamar. Mas jamais vou comparar-me ao deputado Vitorino, isso está fora de questão".
Ora bem! Consciente…
«Apesar disso, a deputada de Setúbal não considera ter sido o sexo a definir a sua presença na lista do PS pelo círculo de Setúbal. "Não sei quais são as motivações dos outros, mas acho que me chamaram porque sou uma pessoa que provavelmente viria a dar uma mais-valia ao partido” (…) “Numa sociedade em que a figura do homem ainda domina, é importante que existam mecanismos que permitam que as competências das mulheres possam ser mostradas. Não é que as mulheres precisem de mostrar essas capacidades. Mas se não lhes forem dadas as mesmas igualdades vai ser mais difícil." Admitindo que a lei da paridade "tem a valia de permitir que as mulheres mostrem as suas capacidades", faz questão de realçar que "as mulheres vieram para a política porque têm valor" e não pelo simples facto de serem mulheres.»
AH! Crente…
«Nas próximas duas semanas, a deputada de Setúbal vai manter-se como observadora para se ambientar e integrar ao novo cargo. E só depois irá definir as suas principais missões no Parlamento. (…) A acabar uma gramática sobre a nova terminologia linguística para o ensino básico e secundário, afirma que a nova rotina apenas lhe alterou os horários de escrita. A vida pessoal e familiar permanecerá intacta.»
Ou seja, vai fazer o mesmo que alguns já fazem há 2/3 mandatos…
Em suma, e pelo que me deu a entender, vai ser uma integração bastante simples e rápida…
Do Ministro Sombra dos Assuntos Parlamentares
Gugu Sásy
Em suma, e pelo que me deu a entender, vai ser uma integração bastante simples e rápida…
Do Ministro Sombra dos Assuntos Parlamentares
Gugu Sásy